Author name: Guto Zorovich

Diário de um combatente desarmado

A visão jornalística da Revolução de 1932 contada por quem a viveu

…uma notícia perturbadora e sensacional entrou a propagar-se vertiginosamente pela cidade, desde o começo do dia. O General Bertholdo Klinger havia sublevado todas as forças militares de Matto-Grosso… num efetivo numeroso, acrescido de civis em armas, marchava com destino á fronteira paulista.

O parágrafo acima é uma pequena fração das comoções vividas na “Revolução de 1932”, e seria difícil fugir desta carga emocional, já que foi escrito enquanto tudo acontecia, através do olhar minucioso do jornalista mineiro Sertório de Castro, que se encontrava na então capital do Brasil, o Rio de Janeiro.

A obra “Diário de Um Combatente Desarmado”, de 1934, é uma forma de ler a Revolução sem a ênfase do contexto separatista, e ressalta outras motivações, como o descontentamento social gerado pelo golpe e pela ditadura que se seguiu, capitaneada por Getúlio Vargas.

O relato também mostra como o restante do Brasil acompanhava, torcia, e de alguma forma tentava apoiar a causa, que já não era mais de paulistas ou mato-grossenses rebelados, mas sim de representantes de Brasileiros indignados com a ditadura sorrateiramente instaurada.

O livro narra o dia a dia dos 3 meses e encerra com algumas páginas de reflexões contagiadas de decepção pelo aparente insucesso do movimento, já que seus efeitos só viriam mais tarde e paulatinamente. Em um capítulo prévio o autor situa o leitor dos bastidores do ambiente político.

A manUSeADOS tem um exemplar original que traz várias páginas a partir do meio do livro que não foram abertas – cortadas na borda – como era característica da época, e por isto está sendo vendido a um bom preço no estado em que se encontra, e não restaurado.

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Amyr Klink

Amyr Klink, legados no mar e nos livros em edições especiais

O mais conhecido navegador brasileiro é lembrado internacionalmente pela minúcia de seus planejamentos e pelo ineditismo de seus feitos no mar – alguns em solitário. Em terra, Amyr Klink já passou de 2500 palestras ministradas em pelo menos dez países diferentes, estreou 2 documentários e vendeu mais de meio milhão de livros em uma dezena de títulos. Dois são leitura obrigatória e vão além das suas excelentes reflexões.

Em “Paratii, entre dois pólos” (Cia das Letras, 1992) Amyr Klink navega entre os extremos do mundo durante quase dois anos, contundo, durante um ano inteiro planejadamente retido pela neve na Península Antártica. E para ser auto suficiente e sobreviver a tanto tempo no deserto gelado, a única coisa que não há é tédio. Além da manutenção da embarcação e da geração de energia e água, a convivência com a fauna e a exploração do entorno rendem boas histórias e ambientam uma calculada luta pela sobrevivência.

Seu primeiro livro – que converteu-se em best-seller – é capaz de tocar a qualquer leitor, não só aventureiros de plantão. Em sua primeira grande expedição Amyr Klink não veleja. Em “Cem dias entre o céu e o mar” (Cia das Letras, 1985) ele atravessa o Atlântico, da África ao Brasil, remando! Com a simplicidade e honestidade que lhe são peculiares, os emocionantes relatos de capotagens, encontro com baleias e natação entre os tubarões no meio do oceano, se misturam às mais humanas emoções de um projetista, navegador e expedicionário ainda em formação, que se equilibra entre o meticuloso planejamento e o inusitado improviso.

A Manuseados tem vários exemplares de diversos títulos deste autor, dois deles são de uma edição especial capa dura, confira aqui.

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Reminiscências da Campanha do Paraguai

O diário de um herói na guerra do Brasil com o Paraguai

Dionísio Cerqueira não chegou a ver seu livro pronto, faleceu enquanto revisava as provas em 1910, em Paris, durante uma viagem de trabalho. Em ativos 62 anos de vida Dionísio foi General de Brigada, Deputado Federal e Ministro de Governo, mas foi como voluntário na Guerra do Paraguai (1864/1870) onde sua história se fundiu a do país.

Ingressou no Exército como praça, deu baixa como tenente cinco anos depois, e ruminou por toda uma vida o livro “Reminiscências da Campanha do Paraguai”. Editado na França em 1910, reeditado no Brasil em 1929, 1948 e 1980 pela Biblioteca do Exército.

Com aguçada intelectualidade e maturidade política, Dionísio mistura sua história aos eventos nos campos de batalha e às transformações ocorridas no país, muitas em virtude da guerra. Com enfático sentimento patriótico, destaca a importância de valores militares como a disciplina, a honra e o respeito hierárquico para o desenvolvimento social.

Um exemplar da edição de 1948 com todas as páginas para destacar nas margens (característica de livro não lido), encontra-se no acervo da manUSeADOS.com.br

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Histórias do Mar, o livro que segundo Amyr Klink é viciante!

A história do homem não seria a mesma sem os ilustres navegadores que colonizaram o mundo e estão em todos os livros, mas também fazem parte dela quase desconhecidos como Yamamoto Otokichi, que após 14 meses a deriva foi capturado por índios e levou 17 anos para voltar para casa. Esta história, por mais interessante que seja, ninguém aprendeu na escola!

O livro “Histórias do Mar”, de Jorge de Souza (Agência 2) reúne 200 casos ocorridos desde 1500 até os dias de hoje. Histórias que já seriam incríveis se fossem inventadas, imagina reais!

Escrito em forma de crônicas, contos e notas, e de forma leve, a dinâmica de leitura é incrível. As histórias acontecem nos quatro cantos da terra e permeiam desde náufragos fugindo de canibais, escravos abandonados em ilhas, sobreviventes que não quiseram ser resgatados e erros militares grotescos.

Entre notas mais amenas, como a do primeiro turista náutico do mundo, ou a primeira mulher faroleira (que opera um farol) e que foi heroína neste posto, estão também os apreensivos relatos dos sobreviventes do baleeiro Essex, a história real que inspirou Moby Dick, livro de Herman Melville.

Detalhes que nenhuma matéria jornalística mostrou sobre José Alvarenga, o salvadorenho que sobreviveu 14 meses a deriva entre o México e as Ilhas Marshal. Ou a lembrançã da patética emersão do submarino nuclear USS Greenville, que afundou o navio escola japonês Ehime Maru matando 9 estudantes, também fazem do livro divertida e rica fonte de informações.

O autor Jorge de Souza é jornalista há mais de 40 anos, foi editor da prestigiada revista NÁUTICA, criador de revistas de Turismo, e autor de dois livros do mesmo assunto, além de um blog e um site que atualiza constantemente. O manUSeADOS tem um excelente exemplar deste livro aqui!

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Imagine pedalar a Transamazônica em 1978 sem falar português!

Quatro mil quilômetros de densa floresta tropical, sem abrigo, sem assistência médica, habitantes com fama de serem perigosos, animais selvagens, calor excessivo e chuva torrencial – em uma estrada que, na sua maior parte, não passava de trilha poeirenta, algumas vezes intransponível pela lama, quase desaparecendo em alguns lugares.

Louise Sutherland, um metro e sessenta e cinco de altura, cinquenta quilos, enfermeira licenciada na Nova Zelândia, tinha cinquenta e poucos anos quando terminou sua jornada pela Transamazônica. “Mas “viagens impossíveis” não são novidade para Louise. Antes desta, ela havia percorrido muitos países de bicicleta, incluindo a Europa, o Oriente Médio, a Índia, os Estados Unidos, o Canadá, China, Islândia e Peru.

Mais tarde, Louise combinou as viagens com levantamentos de fundos para programas de assistência médica nas áreas necessitadas que visitou. A segunda edição em inglês de “Amazônia, a viagem quase impossível” financiou a segunda Clínica Móvel de Saúde para prestar assistência médica às famílias indígenas, ao longo da Transamazônica e floresta adentro, provando que, assim como sua viagem, nada é impossível quando se quer de verdade.

 

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