Raridades

Diário de um combatente desarmado

A visão jornalística da Revolução de 1932 contada por quem a viveu

…uma notícia perturbadora e sensacional entrou a propagar-se vertiginosamente pela cidade, desde o começo do dia. O General Bertholdo Klinger havia sublevado todas as forças militares de Matto-Grosso… num efetivo numeroso, acrescido de civis em armas, marchava com destino á fronteira paulista.

O parágrafo acima é uma pequena fração das comoções vividas na “Revolução de 1932”, e seria difícil fugir desta carga emocional, já que foi escrito enquanto tudo acontecia, através do olhar minucioso do jornalista mineiro Sertório de Castro, que se encontrava na então capital do Brasil, o Rio de Janeiro.

A obra “Diário de Um Combatente Desarmado”, de 1934, é uma forma de ler a Revolução sem a ênfase do contexto separatista, e ressalta outras motivações, como o descontentamento social gerado pelo golpe e pela ditadura que se seguiu, capitaneada por Getúlio Vargas.

O relato também mostra como o restante do Brasil acompanhava, torcia, e de alguma forma tentava apoiar a causa, que já não era mais de paulistas ou mato-grossenses rebelados, mas sim de representantes de Brasileiros indignados com a ditadura sorrateiramente instaurada.

O livro narra o dia a dia dos 3 meses e encerra com algumas páginas de reflexões contagiadas de decepção pelo aparente insucesso do movimento, já que seus efeitos só viriam mais tarde e paulatinamente. Em um capítulo prévio o autor situa o leitor dos bastidores do ambiente político.

A manUSeADOS tem um exemplar original que traz várias páginas a partir do meio do livro que não foram abertas – cortadas na borda – como era característica da época, e por isto está sendo vendido a um bom preço no estado em que se encontra, e não restaurado.

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Reminiscências da Campanha do Paraguai

O diário de um herói na guerra do Brasil com o Paraguai

Dionísio Cerqueira não chegou a ver seu livro pronto, faleceu enquanto revisava as provas em 1910, em Paris, durante uma viagem de trabalho. Em ativos 62 anos de vida Dionísio foi General de Brigada, Deputado Federal e Ministro de Governo, mas foi como voluntário na Guerra do Paraguai (1864/1870) onde sua história se fundiu a do país.

Ingressou no Exército como praça, deu baixa como tenente cinco anos depois, e ruminou por toda uma vida o livro “Reminiscências da Campanha do Paraguai”. Editado na França em 1910, reeditado no Brasil em 1929, 1948 e 1980 pela Biblioteca do Exército.

Com aguçada intelectualidade e maturidade política, Dionísio mistura sua história aos eventos nos campos de batalha e às transformações ocorridas no país, muitas em virtude da guerra. Com enfático sentimento patriótico, destaca a importância de valores militares como a disciplina, a honra e o respeito hierárquico para o desenvolvimento social.

Um exemplar da edição de 1948 com todas as páginas para destacar nas margens (característica de livro não lido), encontra-se no acervo da manUSeADOS.com.br

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